Governo reduz IPI e 1.0 nacionais estão isentos

Como era esperado, o governo anunciou novas medidas para estimular a comercialização de carros no Brasil. Essa decisão era dada como certa, especialmente depois da queda nas vendas no início deste ano.

O novo pacote, anunciado ontem pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, terá três pontos principais. O primeiro envolve generosos descontos no IPI, até 31 de agosto. O segmento mais beneficiado será o dos populares nacionais (com motor 1.0), que estarão isentos desse imposto. Além disso, o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) foi reduzido de 2,5% para 1,5%, afetando especialmente os financiamentos. Essa redução não tem data para acabar.

Finalmente, o governo também decidiu liberar parte dos depósitos compulsórios feitos pelos bancos junto ao Banco Central. Isso deve estimulá-los a abrir um pouco mais o crédito para seus clientes, que havia diminuído bastante após a alta inadimplência desse ano.

Mas, e na prática, como essas novas medidas vão interferir no cenário do mercado brasileiro? Logo de cara, podemos notar que os modelos nacionais terão mais benefícios que os importados. Esse último grupo vem sofrendo bastante com a alta do IPI, que fez com que suas vendas caíssem muito entre janeiro e abril de 2012, e isso deve continuar. Ao passo que modelos 1.0 feitos no Brasil e no eixo Mercosul-México terão grandes descontos, modelos com o mesmo motor, mas importados, continuarão pagando os 30% adicionais do IPI.

A alteração também afeta os veículos com motores maiores, até 2,0 litros, com descontos no IPI entre 5,5% e 6,5% nas categorias flex e gasolina. Veja abaixo a tabela completa com os novos descontos:

Até 1.0 (Brasil, Mercosul e México) – de 7% para 0%
Até 1.0 (importados) – de 37% para 30%
De 1.0 até 2.0 flex (Brasil, Mercosul e México) – de 11% para 5,5%
De 1.0 até 2.0 flex (importados) – de 41% para 35,5%
De 1.0 até 2.0 gasolina (Brasil, Mercosul e México) – de 13% para 6,5%
De 1.0 até 2.0 gasolina (importados) – de 43% para 36,5%
Veículos utilitários (Brasil) – de 4% para 1%
Veículos utilitários (Mercosul e México) – de 34% para 31%

Promessas do governo, preocupações dos analistas

Além de anunciar essas medidas, Guido Mantega também garantiu que as montadoras vão diminuir os preços dos veículos, enquanto que os bancos devem oferecer juros menores e prazos maiores em financiamentos. Tudo isso aponta para um cenário melhor no mercado automotivo, mas as medidas não convenceram os analistas.

Para eles, a inadimplência pode aumentar ainda mais. Em abril, ela chegou a 5,67%, o maior nível dos últimos 12 anos. Em valores reais, isso significa que os brasileiros deixaram de pagar mais de R$ 10 bilhões referentes a financiamentos.

[Fonte: Divulgação]