Ainda estamos em fevereiro, mas os modelos 2016 já estão entre nós

Você entra em uma concessionária e vê dois modelos idênticos no showroom. Logo pensa que a única diferença entre os dois é a cor da carroceria, mas aí o vendedor diz algo que te deixa surpreso: um custa quase 10% a mais que o outro.

Essa situação está cada vez mais comum no Brasil. Ainda estamos em fevereiro, mas já é possível encontrar vários modelos 2016 em concessionárias, o que causa essa enorme diferença no preço de venda. Os primeiros a fazer isso nesse ano foram Honda Civic, Fiat Bravo e Hyundai Tucson. Todos já viraram o ano, com pouquíssimas novidades e, é claro, um preço superior ao modelo anterior.

O caso mais interessante é o do Fiat Bravo, que ainda estava sendo vendido como 2014 quando a marca decidiu por essa alteração. Ou seja, não temos modelos 2015 do Bravo no nosso mercado. A mudança de ano veio com a reestilização do hatch, que trouxe novidades externas e o Uconnect Touch, sistema multimídia com tela de 5 polegadas e comandos de voz. Com essas alterações (e sem nenhuma mudança mecânica), o Bravo 2016 ficou mais caro em todas as versões, com aumento médio de R$ 3.800.

Já a japonesa Honda mudou ainda menos o seu principal produto por aqui. O Civic 2016 é o mesmo por fora, adicionando alguns equipamentos na versão intermediária LXR e retomando as vendas da top de linha EXR. Isso tudo fará o consumidor pagar a mais, em média, R$ 2.500 em cada versão. Pior ainda foi o já defasado Hyundai Tucson, que não mudou nada importante e agora custa R$ 6.090 a mais, a maior alta entre os três modelos citados.

Mudança de ano é estratégia de marketing

Segundo especialistas, essa prática das montadoras serve apenas para chamar atenção para as novidades, mesmo que elas sejam pequenas. Como já estamos acostumados aqui no Brasil, essas mudanças obviamente não viriam sem algum aumento nos preços.

Se você está pensando em trocar o seu carro por algum desses citados (ou por outro que também vire 2016 tão cedo), saiba que o principal fator a ser considerado é o preço. Normalmente, o modelo com ano anterior terá algum desconto ou promoção, mas ele terá um valor de revenda menor que o seu irmão mais novo. Para alguns, que vão ficar mais tempo com o carro, vale a pena optar por essa opção. Mas para quem troca com mais frequência, o melhor mesmo é optar pela versão 2016.

Em meio a tudo isso, porém, ainda podemos ter uma boa notícia. Existe um projeto de lei, que tramita pela Câmara dos Deputados, que visa proibir essa mudança de ano antes de setembro. Se isso for aprovado, a situação do consumir ao comprar um novo carro será facilitada e terá mais lógica, pois veremos modelos do ano seguinte somente mais perto da virada do ano.