Toyota Bandeirante: a história do jipe mais valente do Brasil

Se a Toyota tem hoje o Corolla como seu principal produto, a história da marca japonesa aqui no Brasil começou bem antes de termos tantos exemplares do sedã nas ruas. E o início de tudo se deve a um modelo bem mais robusto: o Toyota Bandeirante.

Famoso entre seus proprietários por aguentar qualquer viagem, e em qualquer terreno, o jipe dificilmente parava em uma oficina. Muitos dizem que era normal ver exemplares com mais de 1 milhão de km rodados, e com fôlego para ainda mais. Outros gostavam de compará-lo com um tanque de guerra, tamanha sua força e disposição para qualquer aventura.

Mas você sabe como o Toyota Bandeirante veio parar no Brasil?

A história do jipe raiz da Toyota

Muitos sabem que o Bandeirante foi produzido durante décadas no Brasil, mas sua história por aqui começou antes disso. No começo dos anos 50, as primeiras unidades eram importadas e depois montadas aqui. Foi só no final dessa década que a própria Toyota assumiu o processo (antes feito pela Alpagral Ltda.), já percebendo o sucesso que o jipe tinha alcançado entre os brasileiros.

Aliás, o sucesso não ocorreu apenas em nosso país. A Toyota passou a vender o Land Cruiser, como o jipe é conhecido lá fora, em dezenas de países e isso ajudou a construir a imagem que a marca tem até hoje em quase todos os mercados, ou seja, de uma marca com veículos confiáveis e com boa mecânica.

As chamativas vendas do jipe em nosso mercado deram à Toyota uma oportunidade imperdível: ter sua primeira subsidiária fora do Japão, com sede no Ipiranga, em São Paulo. Foi ali que o modelo passou a ser feito em regime CKD.

O nosso Bandeirante

O valente jipe que passou a ser montado no Brasil tinha motor de 4,0 litros e seis cilindros, era movido a gasolina e levava o jipe a pouco mais de 100 km/h. Esses eram números respeitáveis para um fora-de-estrada de 3,83 metros de comprimento, 2,28 metros de entre-eixos e 1.450 kg. Pouco tempo depois, ele passou a dispor de um propulsor diesel de 78 cv, que tinha mais torque e era mais econômico.

Dentro de sua cabine, conhecida pelo estilo rústico, cabiam seis pessoas acomodadas em dois bancos inteiriços. Além disso, dois bancos traseiros laterais aumentavam essa capacidade para sete a nove pessoas.

Com a inauguração da fábrica da Toyota em São Bernardo do Campo (SP), em 1962, o nome Land Cruiser foi deixado de lado, dando lugar à designação abrasileirada “Bandeirante”. Um nome que, convenhamos, não poderia ser melhor: o jipe da Toyota passou a ter um papel importante na vida de muitos brasileiros e até no avanço de certas regiões, pois conseguia desbravar como ninguém nossas precárias estradas da década de 60.

Em 1968, o Toyota Bandeirante alcançou 100% de produção nacional, mas seu estilo mudou muito pouco ao longo do tempo. Como principais novidades, o jipão teve um novo motor diesel de 85 cv da Mercedes-Benz (1973), câmbio de quatro marchas (1980), novo painel de instrumentos (1985), novo sistema de freios e direção assistida (1987), primeira reestilização (1989), câmbio de cinco marchas (1993), novo motor de 96 cv (1994) e a nova versão de cabine dupla (1999), para enfrentar o Land Rover Defender 130.

Mesmo com tanto fôlego para encarar as piores estradas do país, e muita história para contar, a vida do Toyota Bandeirante por aqui dava sinais claros que estava chegando ao fim. Depois de mais de 43 anos, e incríveis 104.621 unidades vendidas, a última unidade do modelo saiu da linha de produção em 28 de novembro de 2001.

Apesar disso, até hoje vemos muitos proprietários felizes com seus valentes Toyota Bandeirantes. Como dizia o famoso slogan de duplo sentido do modelo, “o Toyota fica e os outros passam” (destacando sua durabilidade) e “o Toyota passa e os outros ficam” (ressaltando sua facilidade ao enfrentar atoleiros). Não há dúvidas que o Toyota Bandeirante veio para ficar.